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5 de outubro de 2026

ESTATÍSTICAS MONETÁRIAS E DE CRÉDITO DE SETEMBRO


CRÉDITO AVANÇA, MAS O CUSTO E A INADIMPLÊNCIA LIMITAM O FÔLEGO

 

O crédito continuou crescendo em agosto, mas o cenário ainda exige cautela. O saldo do Sistema Financeiro Nacional chegou a R$ 7,4 trilhões, alta de 0,5% no mês e de 9,2% em 12 meses. Ao mesmo tempo, os juros do crédito livre subiram para 48,5% ao ano e a inadimplência total alcançou 5,0%.

Para o comércio e os serviços, a leitura é mista: há expansão das concessões e do crédito às famílias, o que ajuda a sustentar vendas, mas o encarecimento do financiamento e a maior inadimplência reduzem a capacidade de consumo e tornam mais seletiva a oferta de crédito, especialmente para pequenos negócios.

PRINCIPAIS NÚMEROS DE AGOSTO

Indicador Resultado Variação
Saldo total do SFN R$ 7,4 trilhões +0,5% no mês | +9,2% em 12 meses
Taxa média de juros 32,3% a.a. +0,2 p.p. no mês
Juros do crédito livre 48,5% a.a. +0,8 p.p. no mês
Inadimplência total 5,0% +0,1 p.p. no mês | +0,9 p.p. em 12 meses

 

CRÉDITO PARA EMPRESAS E DESEMPENHO SETORIAL

O estoque de crédito às pessoas jurídicas ficou em R$ 2,7 trilhões, com queda de 0,1% no mês e crescimento de 7,1% em 12 meses. No segmento livre, o saldo empresarial recuou 0,6% em agosto e avançou apenas 0,5% em um ano, com reduções em capital de giro e desconto de duplicatas e recebíveis.

MICRO E PEQUENOS SENTEM MAIS A DETERIORAÇÃO DO CRÉDITO

O saldo de crédito das micro, pequenas e médias empresas alcançaram R$ 1,34 trilhão, alta de 1,0% no mês e de 6,6% em 12 meses. A inadimplência, porém, chegou a 6,0%, ante 5,4% em agosto de 2025. Nas grandes empresas, o indicador ficou em 0,7%.

Para os negócios de menor porte, a combinação de juros ainda elevados e atrasos crescentes tende a manter critérios de aprovação mais rigorosos, maiores exigências de garantia e pressão sobre o custo do capital de giro.

COMÉRCIO E SERVIÇOS

Atividade Saldo em ago/26 No mês Em 12 meses
Comércio R$ 599,6 bi -0,1% +0,4%
Transportes R$ 247,6 bi +0,7% +0,5%
Serviços às famílias R$ 169,2 bi +1,6% +15,9%
Serviços às empresas R$ 141,9 bi +1,6% +4,2%
Serviços — total R$ 1,67 tri +0,4% +7,0%

 

Dentro do comércio, o crédito permaneceu praticamente estável no agregado. Em 12 meses, houve retração no varejo de bens não duráveis (-2,0%), no varejo de bens duráveis (-8,4%) e no atacado (-3,6%). Em sentido oposto, cresceram veículos automotores (+8,7%) e bens intermediários (+3,2%).

A expansão mais forte dos serviços prestados às famílias indica maior dinamismo nesse grupo, enquanto o comércio mostra menor impulso de crédito. Os dados são nacionais e não têm abertura por unidade da Federação; portanto, servem como direção para São Paulo, e não como estimativa específica do Estado.

FAMÍLIAS E IMPLICAÇÕES PARA O SETOR

O saldo de crédito às famílias chegou a R$ 4,7 trilhões, com alta de 0,8% no mês e de 10,5% em 12 meses. A expansão foi puxada por financiamento de veículos, cartão rotativo e crédito consignado do setor privado. O aumento do estoque favorece o consumo no curto prazo, mas ocorre com custo elevado e piora da qualidade da carteira.

 

 

SINAIS DE PRESSÃO NO ORÇAMENTO

Indicador Resultado Leitura
Juros do crédito livre às famílias 61,7% a.a. +1,4 p.p. no mês | +2,9 p.p. em 12 meses
Inadimplência das famílias 6,0% +0,2 p.p. no mês | +1,1 p.p. em 12 meses
Inadimplência no crédito livre às famílias 8,0% +0,2 p.p. no mês | +1,0 p.p. em 12 meses
Endividamento das famílias 49,9% dado de julho | +1,1 p.p. em 12 meses
Comprometimento de renda 28,7% dado de julho | +1,4 p.p. em 12 meses

 

IMPLICAÇÕES PARA COMÉRCIO E SERVIÇOS

Vendas a prazo exigem cautela. O crédito disponível continua crescendo, mas a elevação dos juros e dos atrasos aumenta o risco de inadimplência e pode reduzir a conversão de compras de maior valor.

A demanda tende a ficar mais seletiva. Com quase metade da renda anual comprometida por dívidas e 28,7% da renda mensal destinada ao serviço dessas obrigações, o consumidor tem menos espaço para gastos discricionários.

Nas empresas, vale reforçar gestão de caixa e recebíveis. Para MPEs, o avanço da inadimplência pode encarecer ou restringir capital de giro; negociação de prazos, antecipação criteriosa de recebíveis e controle de estoques ganham relevância.

O quadro não indica retração generalizada do crédito, mas menor qualidade do crescimento. Para os sindicatos, os indicadores mais importantes nos próximos meses são juros às famílias, inadimplência das MPEs e evolução do crédito no varejo, que perdeu ritmo em agosto.

 

 

Fonte: Banco Central do Brasil, Estatísticas Monetárias e de Crédito, dados de agosto de 2026, divulgados em 29/09/2026.

 

ECO 07/2026

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