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14 de outubro de 2026

PMS Agosto 26


PMS: Serviços em platô e desaceleração em 12 meses

 

O volume de serviços variou -0,1% em agosto na comparação com julho, na série com ajuste sazonal. O dado mensal, porém, diz pouco: variações tão pequenas ficam dentro da margem de revisão da dessazonalização, e a média móvel trimestral ficou estável (0,0%). As comparações sem ajuste mostram com mais clareza a direção do setor, e a direção é de desaceleração.

Na comparação com agosto de 2025, o volume cresceu 0,6%, o 29º resultado positivo seguido, mas o ritmo vem caindo rapidamente: foram 2,2% em junho e 0,9% em julho. No acumulado do ano, a alta recuou de 2,1% até junho para 1,7% até agosto. Em 12 meses, a taxa caiu pelo terceiro mês consecutivo, de 2,6% em junho para 2,4% em julho e 2,2% em agosto. O nível do índice está 0,3% abaixo do pico histórico de outubro de 2025, o que significa que os serviços estão, na prática, parados num platô há cerca de dez meses.

A perda de fôlego também aparece na abrangência. Em agosto, apenas 44,6% dos 166 tipos de serviços investigados cresceram frente ao mesmo mês do ano anterior, e no acumulado do ano a proporção ficou em 49,4%. Menos da metade das atividades está crescendo, e somente 11 das 27 unidades da federação tiveram alta na comparação anual.

Entre os setores, informação e comunicação segue como principal motor, com alta de 6,2% no ano e 6,0% em 12 meses, puxada por tecnologia da informação, telecomunicações e audiovisual. Mesmo ali, porém, há moderação: os serviços de TI desaceleraram de 10,9% para 9,6% em 12 meses. Os serviços profissionais, administrativos e complementares crescem 2,4% no ano, em ritmo estável. Os serviços prestados às famílias são a exceção positiva na margem, com alta de 2,4% no ano e aceleração em 12 meses de 1,2% para 1,8%, sustentada pela alimentação fora do domicílio (4,0% no ano), enquanto o alojamento recua 1,7%.

Na outra ponta, transportes, serviços auxiliares e correio caem 1,5% no ano, e a taxa em 12 meses passou de 1,0% em junho para -0,1% em agosto. O transporte aéreo despenca 13,6% no ano, e o rodoviário de cargas desacelerou de 3,6% para 2,6% em 12 meses, refletindo a perda de ritmo da indústria e da produção de bens. Outros serviços recuam 0,3%, pressionados pelas atividades auxiliares dos serviços financeiros, sensíveis ao crédito.

Um dado adicional merece atenção: a receita nominal do setor cresce 7,5% em 12 meses, contra 2,2% do volume. A diferença sugere um aumento implícito de preços em torno de 5%, em linha com a inflação de serviços próxima de 6% no IPCA. O faturamento cresce mais por preço do que por quantidade, o que tende a pressionar a inflação sem se converter em atividade.

Para a tendência do indicador, a combinação de platô no nível e base de comparação elevada — o pico foi em outubro de 2025 — indica que as taxas em 12 meses devem continuar recuando nos próximos meses, possivelmente para perto de 1,5% no fim do ano. Para o setor, o quadro é de crescimento concentrado nos segmentos ligados à digitalização, menos dependentes de crédito, enquanto os mais sensíveis a juros e ao ciclo de bens perdem força. Com a Selic em patamar elevado por mais tempo, a tendência é de serviços crescendo menos em 2027, com margens apertadas entre custos de pessoal em alta e demanda contida.

 

ECO 11/2026

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