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12 de setembro de 2017Ativistas debatem raça e gênero na sociedade brasileira
O UM BRASIL entrevistou a escritora e militante LGBT Amara Moira e a filósofa e ativista do feminismo negro Djamila Ribeiro sobre os direitos das minorias, discriminações de gênero, raça e classe. De acordo com as entrevistadas, há uma postura ativa de crítica para combater desigualdades. “A gente vem trazer narrativas de incômodo, porque os cidadãos precisam se incomodar e entender o que significa o privilégio que vem sistematicamente sendo produzido à custa da opressão de outros grupos”, explica Djamila.
Ela defende que o questionamento de privilégios é feito com base em pontos de vista variados. “Eu tenho de pensar sobre minha condição o tempo inteiro, porque as pessoas não esquecem que sou negra nos espaços que chego ou na forma em que sou abordada”, explica a filósofa.
Questionadas sobre as críticas que veriam as análises delas como excessivamente “politicamente corretas”, as ativistas explicam que a partir do momento em que vozes historicamente silenciadas começam a fazer frente ao status quo, quem está no poder se constrange. Segundo elas, ser feminista é uma postura por si só incômoda. “Há um grupo que se sente ameaçado porque quer se manter em posição confortável, e é preciso perder o medo disso”, diz Djamila.
Acerca das discussões que envolvem a proibição da abordagem de assuntos relacionados ao gênero nas escolas, Amara Moira analisa que gênero não é simplesmente a forma como as pessoas se entendem; é também pensar para onde as violências se dirigem. “É uma questão analítica da sociedade, e poder discuti-la é poder falar sobre a criação para a fragilidade, sobre assédio na rua, todas estas microviolências que você pode cometer sobre a outra pessoa sem que se dê conta”, afirma.
“As pessoas refutam uma ideologia de gênero mas, na minha visão, ela já existe e é essa em que a cada cinco minutos uma mulher é agredida. Quando queremos estudar esses temas na escola, é justamente para combater essas violências que são postas nessa ideologia dominante”, analisa Djamila. Assista a entrevista completa aqui.